A história da sessão fotográfica “Twinks for Trump” de 2016

Lucian Wintrich, estética homoerótica e a disputa sobre se o projeto era propaganda ou trolling.

A história da sessão fotográfica “Twinks for Trump” de 2016

Em 2016, na Convenção Nacional Republicana em Cleveland, foi apresentado um projeto fotográfico intitulado “Twinks for Trump”. Tratava-se de uma série de fotografias com jovens gays magros e frequentemente sem camisa, usando bonés de béisebol com a inscrição “Make America Great Again”.

O projeto rapidamente gerou polémica: o público nem sempre conseguia determinar se era apresentado a sério ou como ironia. Mesmo que se tratasse de uma provocação, não ficava claro contra quem era dirigida — contra os apoiantes de Donald Trump ou contra os seus opositores.

Dormi com todos eles. E só durmo com pessoas bonitas.

— Lucian Wintrich

Lucian Wintrich
Lucian Wintrich

O autor do projeto era Lucian Wintrich — um artista norte-americano, abertamente gay e defensor de ideias conservadoras. Cresceu numa família criativa: a mãe era realizadora de cinema experimental e o pai era dono de uma empresa na área do design e da publicidade. O seu avô paterno, um judeu polaco, era tenente-coronel no Departamento de Defesa. O próprio Wintrich é licenciado em ciência política.

“Twinks for Trump” baseava-se numa mistura deliberada de estereótipos sobre jovens gays e conservadores. O próprio Wintrich classificava o trabalho como sátira e sublinhava que a sátira e a comédia são ferramentas poderosas para ultrapassar barreiras culturais, ajudando as pessoas a refletir e a olhar para coisas familiares de uma nova forma.

Não concordo com tudo o que a plataforma conservadora proclama, mas cheguei às minhas opiniões através da leitura e da investigação, e claro que há alguma subjetividade pessoal, porque sou uma pessoa viva e enérgica.

— Lucian Wintrich

A exposição tornou-o conhecido para além da sua cidade natal. Parte dos media encarou o projeto como uma provocação ostensiva. Os seus apoiantes, pelo contrário, viam nele uma tentativa ousada de questionar os quadros sociais e políticos estabelecidos.

O próprio artista associava a reação intensa ao projeto à intolerância perante a dissidência política dentro de parte da comunidade LGBT. Dizia:

Ser gay e ao mesmo tempo conservador significa que tens de lutar mais, ler mais, estudar mais, porque vão questionar-te constantemente. As palavras que atiram são uma forma de calar o outro — através da política de ataques pessoais, onde muitas pessoas da esquerda se tornaram os novos puritanos. No momento em que alguém (da esquerda) ouve uma opinião diferente e declara: “Oh, isso soa a conservador, então és racista, fanático, neonazi” — não haverá mais diálogo.

— Lucian Wintrich

Segundo ele, muitos conservadores, incluindo cristãos evangélicos, apoiaram esta série homoerótica de fotografias. Entre os membros da comunidade LGBT com tendências de esquerda, a reação era frequentemente muito negativa. Disseram a Wintrich que o projeto era “repugnante” e que, ao promover tais ideias, ele próprio se tornava inimigo dos gays. Depois disso, parte dos seus amigos deixou de lhe falar.

Numa comunidade que se esforça tanto para combater o bullying e apoiar jovens gays para que se sintam aceites, dizem: “Bem, agora és aceite, mas tens de pensar como nós e falar como nós, senão deixarás de ser aceite”.

— Lucian Wintrich

O conflito ultrapassou os limites da polémica pública. Os opositores do projeto começaram a pressionar o empregador de Wintrich: ligavam para o escritório da empresa onde trabalhava exigindo o seu despedimento. No final, foi efetivamente despedido, apesar de estar prevista uma promoção. Wintrich processou a empresa, alegando despedimento por motivação política, e mais tarde chegou a um acordo extrajudicial.

Para eles era importante livrarem-se de mim, embora eu apenas dissesse que acredito num governo pequeno. A sério, é simplesmente ridículo. Fui despedido quando fiz o meu coming out… como apoiante de Donald Trump.

— Lucian Wintrich

Os trabalhos de Wintrich foram expostos em várias galerias de Nova Iorque, mas alguns espaços recusaram colaborar por causa do caráter controverso da sua arte. A galeria Pierogi cancelou a sua exposição no último momento. O seu proprietário explicou a decisão dizendo que tinha sido “induzido em erro” quanto ao conteúdo das obras.

O próprio Wintrich afirmava que a galeria cedeu à pressão pública. Segundo ele, o local recebeu cerca de uma centena de cartas com críticas severas ao projeto. Na altura declarou: “É a primeira vez desde Robert Mapplethorpe que uma galeria tenta limitar a liberdade de expressão artística.”

O político conservador e abertamente gay Milo Yiannopoulos apoiou publicamente Wintrich. Disse: “A reação da comunidade LGBT a Lucian e aos seus colegas artistas é embaraçosa. Como pode um movimento dedicado à autoexpressão, ao orgulho e à diversidade ser tão categoricamente contra a diversidade de opiniões?”

Um dos participantes da sessão fotográfica, Akbar, descrevia a diferença entre os campos políticos desta forma:

Vai-se a comícios conservadores e parecem um serviço religioso. Discurso, aplausos. Discurso, aplausos. Não se veem artistas drag do nosso lado. A direita devia poder divertir-se mais do que a esquerda.

— Akbar, um dos twinks da sessão fotográfica

Em 2017, Wintrich tornou-se o primeiro correspondente do Gateway Pundit na Casa Branca. Nessa posição, criticava ativamente vários meios de comunicação, acusava-os de parcialidade e publicava frequentemente comentários incisivos nas redes sociais. Em 2018, deixou a publicação. Depois disso, dedicou-se a diversos projetos na área dos media.

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