Turquia bloqueia cerca de 40 contas LGBT no X
As autoridades turcas bloquearam o acesso a cerca de 40 contas na rede social X ligadas a organizações LGBT e grupos feministas. O bloqueio foi implementado pela Autoridade de Tecnologias de Informação e Comunicação da Turquia (BTK), citando razões de “segurança nacional e ordem pública”. Os defensores dos direitos humanos classificaram a medida como uma grave violação da liberdade de expressão.
Entre as contas bloqueadas estão perfis de proeminentes organizações de direitos humanos turcas: Kaos GL, SPoD, Lambdaİstanbul, Pembe Hayat e outras. Segundo a plataforma de monitoramento Engelliweb, as autoridades exigiram que a administração da rede social restringisse o acesso a essas páginas para usuários no país. Algumas contas já estavam inacessíveis desde junho de 2025.
Uma coalizão de 22 grupos de direitos humanos, incluindo a filial turca da Anistia Internacional, divulgou uma declaração conjunta condenando as ações das autoridades. “Essas restrições de acesso constituem uma prática inaceitável que dificulta o exercício dos direitos das pessoas LGBT+ num momento em que se intensificam as informações e os apelos à participação em eventos e marchas do Mês do Orgulho”, afirma a declaração.
A homossexualidade não é ilegal na Turquia, mas desde 2015, as autoridades proíbem e reprimem sistematicamente as marchas anuais do Orgulho nas principais cidades do país.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, critica regularmente a comunidade LGBT. No dia em que as contas foram bloqueadas, ele declarou: “As instituições que unem a sociedade e salvaguardam o seu futuro, especialmente a família, estão a ser alvo de certos setores. Esses mesmos grupos tentam incutir nos jovens comportamentos desviantes que vão contra a natureza humana, como aqueles associados a pessoas LGBT”. Erdoğan também culpou a comunidade pela queda na taxa de natalidade no país.