Tribunal de São Petersburgo declarou a Rede LGBT Russa «extremista»
O Tribunal Municipal de São Petersburgo declarou a Rede LGBT Russa uma organização «extremista» e proibiu suas atividades no país. Como relata a Reuters , a decisão foi tomada em 27 de abril a pedido do Ministério da Justiça. O ponto importante aqui não é apenas a proibição: na Rússia, essa classificação pode abrir caminho para processos criminais contra pessoas que as autoridades digam estar ligadas à organização.
A Rede LGBT Russa foi criada em 2006 e por muito tempo permaneceu como a maior organização nacional de direitos LGBT em nível federal no país. Tornou-se especialmente conhecida por ajudar na evacuação de homens gays da Chechênia durante anos de prisões, tortura e chamados «crimes de honra» na região. Segundo informações públicas, a rede tinha pelo menos 17 filiais em todo o país.
A pressão sobre a organização vinha aumentando havia anos. Em 2021, as autoridades incluíram a Rede LGBT Russa, seu advogado Ivan Pavlov e vários ex-colegas dele no registro de «agentes estrangeiros». Em 2022, a legislação anti-LGBT forçou o fechamento da Sfera, fundação principal ligada à rede, embora ela tenha retomado o trabalho mais tarde.
A nova decisão se encaixa em uma campanha mais ampla que se acelerou depois que a Suprema Corte da Rússia classificou o chamado «movimento público internacional LGBT» como «extremista» em novembro de 2023. Desde então, os tribunais russos vêm proibindo, um a um, grupos e iniciativas LGBT específicos. Em março de 2026, o grupo Coming Out foi proibido, e em abril decisões semelhantes atingiram Irida, Parni+ e o Centro Comunitário de Iniciativas LGBT+ de Moscou.
Isso torna a nova proibição especialmente significativa: já não se trata de uma iniciativa local, mas de uma organização que por muitos anos coordenou apoio a pessoas LGBT em todo o país. Nesse sentido, a decisão pode ser vista como mais um passo para tornar quase impossível qualquer trabalho legal e público de defesa dos direitos LGBT dentro da Rússia.