Irã Exige que FIFA Proíba Bandeiras LGBT na Copa do Mundo de 2026

A Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) entregou à FIFA uma lista de 10 condições para a participação de sua seleção na Copa do Mundo de 2026. O torneio será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México. Entre as exigências estão a proibição de bandeiras LGBT nas arquibancadas e a garantia de vistos para a delegação iraniana, informa a publicação Outsports.

O Irã declarou que participará da competição apenas se não houver “qualquer desvio de suas crenças, cultura e princípios”. A federação insiste que os países anfitriões devem levar em conta suas preocupações. Uma das principais demandas é permitir apenas bandeiras nacionais oficialmente reconhecidas nos estádios. Na prática, isso tornaria ilegal a exibição de símbolos LGBT durante as partidas.

A federação apresentou as condições após o Canadá negar a entrada do presidente da FFIRI, Mehdi Taj, em abril. Ele estava a caminho de um congresso da FIFA em Vancouver. Segundo o próprio Taj, a recusa ocorreu devido ao seu passado no Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Os governos do Canadá e dos EUA classificam a IRGC como organização terrorista. Por isso, o Irã exige que a FIFA garanta a emissão de vistos sem entraves para todos os jogadores e autoridades, incluindo ex-militares da IRGC. A federação também solicitou reforço na segurança do torneio e tratamento respeitoso ao hino e à bandeira iranianos.

O ultimato do Irã complica a situação envolvendo a partida da seleção contra o Egito, que ocorrerá em 26 de junho de 2026, em Seattle. Em dezembro de 2025, os organizadores anunciaram que o jogo seria uma “Partida do Orgulho” em apoio à comunidade LGBT. Irã e Egito se opuseram. Mehdi Taj descreveu a decisão como um “passo irracional que apoia um grupo específico”.

Em ambos os países, a homossexualidade é perseguida pelo Estado. No Irã, as relações homoafetivas podem ser punidas com a pena de morte. No Egito, embora não haja proibição direta, os tribunais usam leis de moralidade para processar pessoas LGBT. As punições podem chegar a 17 anos de prisão, incluindo trabalhos forzados e deportação.

A FIFA tem capacidade para atender a parte das exigências do Irã, mas a emissão de vistos e as questões de segurança são de responsabilidade exclusiva dos governos dos Estados Unidos, Canadá e México.