Líder do partido indonésio Ummat acusa secretário do gabinete presidencial de ser gay, e governo chama isso de calúnia
A Indonésia entrou numa disputa política depois que Amien Rais, presidente do conselho consultivo do partido muçulmano conservador Ummat, afirmou que o secretário do gabinete Teddy Indra Wijaya seria gay e teria uma «influência perigosa» sobre o presidente Prabowo Subianto. Segundo The Star, citando o Jakarta Post , o governo descreveu o vídeo de Rais como calúnia, boato e discurso de ódio.
O vídeo foi publicado no YouTube em 30 de abril de 2026. Nele, Rais alegou que Wijaya se aproximou demais do presidente em termos pessoais e pediu que Prabowo o substituísse por uma «figura normal» focada em servir o país. Rais não apresentou provas publicamente verificáveis para a afirmação. Depois de circular nas redes sociais, o vídeo ficou indisponível na Indonésia com um aviso sobre uma queixa legal do governo.
A ministra da Comunicação e Tecnologia Digital, Meutya Hafid, disse em 1º de maio que o vídeo não tinha base factual e buscava prejudicar a reputação do presidente. Muhammad Qodari, chefe da Agência de Comunicação do Governo, afirmou que a acusação se baseava numa conta de entretenimento com uma música chamada «Aku Bukan Teddy», «Eu não sou Teddy», que Rais teria tratado como material politicamente significativo.
Teddy Indra Wijaya ocupa um cargo sensível: o secretário do gabinete trabalha perto do presidente e ajuda a coordenar o trabalho do governo. A Secretaria do Gabinete da Indonésia informou que Prabowo empossou Wijaya como secretário do gabinete em 21 de outubro de 2024, com base em decreto presidencial. Antes disso, Wijaya havia sido oficial militar e assessor de Prabowo.
O partido Ummat disse estar disposto a defender Rais caso o assunto chegue aos tribunais. The Star relata que o partido apoiou o rival de Prabowo, Anies Baswedan, na eleição presidencial de 2024, mas depois da vitória de Prabowo declarou apoio ao novo presidente. Nem Prabowo nem Wijaya comentaram publicamente a discussão sobre orientação sexual.
A Amnesty International Indonesia condenou a declaração de Rais como discriminatória. Seu diretor executivo, Usman Hamid, disse ao The Star que não há ligação científica entre orientação lésbica ou gay e incapacidade de liderar, nem prova de que essa orientação prejudique a moral pública. Ele também observou que a resposta do governo se concentrou principalmente em defender a reputação do presidente, não na discriminação por orientação sexual.
O contexto mais amplo importa. Na maior parte da Indonésia, relações consentidas entre adultos do mesmo sexo não são criminalizadas pela lei nacional. Mas a Amnesty International observa que a província de Aceh é uma exceção, pois aplica um código penal islâmico. A Human Rights Watch também informou que autoridades usaram a lei de pornografia de 2008 em batidas e processos contra pessoas LGBT, embora o governo central não criminalize em si a conduta entre pessoas do mesmo sexo.
Por isso, a disputa em torno de Rais e Wijaya vai além de uma acusação pessoal. Ela mostra como uma orientação sexual suposta pode ser usada na política indonésia como argumento sobre a aptidão moral de um funcionário público, enquanto a resposta do Estado pode defender o poder contra difamação e ao mesmo tempo evitar a questão mais ampla do estigma contra pessoas LGBT. Segundo a EqualDex , a Indonésia marca 12 de 100 pontos no índice de igualdade LGBT.