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Alguns eleitores trans nos Estados Unidos pretendem votar nos democratas apesar da transfobia de alguns candidatos do partido

Annie Andrews num encontro eleitoral em Greenville, Carolina do Sul, em 11 de maio de 2026. Foto de arquivo: Stimpus1 / Wikimedia Commons, CC0. Recortada, redimensionada, WebP.
Annie Andrews num encontro eleitoral em Greenville, Carolina do Sul, em 11 de maio de 2026. Foto de arquivo: Stimpus1 / Wikimedia Commons, CC0. Recortada, redimensionada, WebP.

Nos Estados Unidos, alguns eleitores trans pretendem apoiar os democratas nas eleições de 3 de novembro de 2026, apesar da decepção com declarações de candidatos sobre os direitos das pessoas trans. É o que descreve uma reportagem da Uncloseted Media e do The 19th, publicada em 28 de outubro e reproduzida pelo Washington Blade. O texto apresenta opiniões de pessoas entrevistadas em vários estados, e não resultados de uma pesquisa representativa.

Um dos motivos da controvérsia é um anúncio da pediatra Annie Andrews, candidata democrata ao Senado dos Estados Unidos pela Carolina do Sul. Como noticiou a CNN, em 8 de outubro ela se opôs à participação de mulheres trans no esporte feminino, chamando-as de “homens biológicos”, e a cirurgias de transição de gênero para menores. No site de sua campanha, a equipe afirma que ambas as posições são consistentes ao longo do tempo; não considera contraditória a crítica de Andrews a um projeto de lei sobre esporte em 2022.

Max Sorgenfrey, uma mulher trans de Charleston, disse aos jornalistas que ainda assim votará em Andrews, esperando depois cobrar o cumprimento de seus compromissos com os eleitores LGBT. Nem todos, porém, fazem essa escolha: Kathleen Burns, moradora de Ohio casada com uma pessoa trans não binária, pretende apoiar outros democratas, mas não marcar nenhum candidato na disputa para governador, da qual participa Amy Acton.

A organização de direitos civis Equality Ohio rebaixou a avaliação de Acton de A para B após suas declarações sobre pessoas trans. No entanto, também cita a resposta da campanha: a candidata promete combater a discriminação e considera que as decisões médicas devem caber ao paciente e ao médico. A Equality Ohio explica que uma nota B indica um histórico insuficientemente comprovado, acompanhado de declarações públicas de apoio às pessoas LGBT.

Em Iowa, o candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos Josh Turek também afirmou em um anúncio que se opõe à participação de mulheres trans no esporte feminino e ao uso de dinheiro dos contribuintes para financiar cirurgias de transição. Segundo o Iowa Capital Dispatch, a organização LGBT One Iowa Action criticou sua posição sobre o financiamento público dos cuidados de saúde. Os republicanos, por sua vez, o acusaram de fazer declarações incompatíveis com suas votações anteriores. Turek diz ser contrário à discriminação, mas considera necessárias regras no esporte.

No Texas, a advogada Bryanna Jenkins explicou seu apoio aos democratas como uma estratégia eleitoral, e não como um voto de confiança. Avery Belyeu, diretora do centro comunitário LGBT Montrose Center, em Houston, avalia de forma mais positiva o candidato ao Senado James Talarico: cita seu apoio anterior às pessoas trans e considera o acesso à assistência médica e a alteração dos documentos de identidade questões mais urgentes que a controvérsia esportiva.

O tema tem destaque na publicidade eleitoral. De acordo com as estimativas da AdImpact publicadas pela Associated Press, até 25 de outubro os republicanos haviam gasto cerca de 183 milhões de dólares em anúncios de televisão que atacavam os democratas por questões trans; os democratas haviam destinado aproximadamente 11 milhões a anúncios sobre o assunto, sobretudo em resposta aos ataques.

A Uránia já noticiou o anúncio de Annie Andrews e as reações às suas declarações.

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