Deputado russo Vitaly Milonov associa uso de antidepressivos ao «surgimento da homossexualidade»

Em 16 de outubro de 2026, o deputado da Duma Estatal da Federação Russa pelo partido governista Rússia Unida, Vitaly Milonov, afirmou que o uso de antidepressivos levaria ao «surgimento da homossexualidade», ao alcoolismo e ao suicídio. Em entrevista ao veículo russo Gazeta.Ru, o parlamentar fez duras críticas à difusão da psicofarmacoterapia, pediu um endurecimento substancial no controle da distribuição desses fármacos e recomendou que a população renuncie integralmente ao seu consumo.
Ao comentar os dados sobre o aumento das vendas de psicotrópicos no país, Milonov atribuiu o fenômeno à influência da cultura ocidental. «As pessoas se fartaram de assistir a porcarias americanas e se entopem de todo tipo de antidepressivo. E o que acontece depois? Depois surgem o suicídio, o alcoolismo e a homossexualidade», declarou o deputado. Ele também sustentou que esses medicamentos vêm sendo prescritos sem critério por supostos «falsos psicólogos» e exigiu que a autorização para receitá-los seja restrita exclusivamente a médicos psiquiatras. Além disso, Milonov declarou que a depressão clínica decorre do consumo de bebidas alcoólicas, comparando o quadro a uma ressaca, e aconselhou os russos a não beber e não fumar para evitar a necessidade de tranquilizantes e antidepressivos.
As declarações do parlamentar contrariam a legislação russa em vigor e o consenso da medicina baseada em evidências. Pela Lei Federal «Sobre a assistência psiquiátrica e garantias dos direitos dos cidadãos em sua prestação», psicólogos na Rússia não têm formação médica e não possuem competência legal para receitar medicamentos; a prescrição de antidepressivos e ansiolíticos é prerrogativa exclusiva de médicos diplomados — psiquiatras, psicoterapeutas e neurologistas. Da mesma forma, entidades médicas e psiquiátricas enfatizam que o tratamento farmacológico com antidepressivos não exerce nenhuma influência sobre a orientação sexual humana. A depressão é classificada pela ciência como um transtorno psíquico complexo e multifatorial que exige acompanhamento especializado, e a interrupção abrupta e não orientada de remédios acarreta sérios riscos de síndrome de abstinência e recaída clínica.
Vitaly Milonov integra a Duma Estatal desde 2016 e ocupa a vice-presidência do Comitê de Proteção da Família, Paternidade, Maternidade e Infância. Anteriormente, na Assembleia Legislativa de São Petersburgo, foi o autor da primeira lei regional russa a proibir a chamada «propaganda da homossexualidade» entre menores, aprovada em 2012 e adotada como modelo para a legislação federal posterior. Suas declarações ocorreram após a Aliança de Associações Farmacêuticas divulgar um salto de 100% nas vendas de antidepressivos nas drogarias russas desde 2022, além de relatos sobre desabastecimentos temporários de determinados ansiolíticos.
A associação de pautas LGBT a teorias da conspiração e questões de saúde é frequente nos discursos de autoridades públicas russas. Anteriormente, a Uránia noticiou as declarações do presidente do Instituto Kurchatov, Mikhail Kovalchuk, que qualificou o apoio ocidental aos direitos LGBT como instrumento de redução populacional. O veículo também detalhou as novas diretrizes clínicas do Ministério da Saúde da Rússia para transtornos da preferência sexual, que regulamentam o uso de antidepressivos ISRS em parafilias, e analisou a aplicação de pesadas multas pela censura anti-LGBT após a proibição judicial do movimento LGBT no país.


