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Três mulheres trans são eleitas para a Câmara dos Deputados no Brasil, e Erika Hilton bate recorde histórico de votos

As deputadas federais eleitas e reeleitas Erika Hilton (à esquerda) e Thabatta Pimenta (à direita). Foto: Kascyo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
As deputadas federais eleitas e reeleitas Erika Hilton (à esquerda) e Thabatta Pimenta (à direita). Foto: Kascyo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 4 de outubro de 2026, nas eleições gerais do Brasil, a vereadora de Natal Thabatta Pimenta (Partido Verde) foi eleita deputada federal pelo Rio Grande do Norte. A parlamentar de 34 anos tornou-se a primeira mulher trans e travesti da região Nordeste a conquistar uma cadeira no Congresso Nacional, alcançando 92.743 votos (4,71% dos votos válidos no estado).

De acordo com reportagem do jornal norte-americano Washington Blade , a partir da posse da nova legislatura em 1º de fevereiro de 2027, Pimenta integrará a bancada federal ao lado de duas parlamentares trans reeleitas: Erika Hilton (por São Paulo) e Duda Salabert (por Minas Gerais), ambas do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Hilton atingiu uma marca eleitoral histórica ao somar 1.596.472 votos, tornando-se a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados no país. No estado de São Paulo, Hilton obteve a segunda maior votação geral, atrás apenas do candidato de direita Lucas Pavanato (PL), que ultrapassou 3 milhões de votos. Já Salabert garantiu a reeleição com 215.192 votos.

O coletivo VoteLGBT, que acompanhou o pleito, registrou que 529 candidatos abertamente LGBTQ+ disputaram as eleições gerais de 2026, com mais de 30 vitórias confirmadas em níveis federal e estadual. Para a Câmara dos Deputados, também foram eleitos parlamentares bissexuais (como Guilherme Cortez, Dandara Tonatzin e Anielle Franco), gays (entre eles o deputado reeleito Fabio Félix e o ativista Rick Azevedo) e lésbicas (como Daiana Santos, Rosa Amorim e Bella Gonçalves). Por outro lado, nomes consagrados não obtiveram sucesso: o senador gay Fabiano Contarato não se reelegeu no Espírito Santo, a vereadora carioca Mônica Benício não conquistou vaga no Senado e o ex-deputado Jean Wyllys não foi eleito em São Paulo.

Nas assembleias legislativas estaduais, mais de 20 candidaturas abertamente LGBTQ+ saíram vitoriosas. Entre os destaques está Natasha Ferreira (PT), primeira travesti eleita para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. O quadro geral das urnas refletiu a forte polarização política no Brasil: na eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador de direita Flávio Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno marcado para 25 de outubro de 2026.

Nascida no município de Carnaúba dos Dantas, Thabatta Pimenta iniciou sua trajetória pública como comunicadora de rádio e defensora dos direitos das pessoas com deficiência, impulsionada pelo cuidado com o irmão com paralisia cerebral. Em 2020, foi eleita vereadora em sua cidade natal e, em 2024, conquistou uma vaga na Câmara Municipal de Natal, tornando-se a primeira mulher trans do legislativo da capital potiguar.

Anteriormente, a Uránia reportou a participação de mais de 500 candidaturas LGBT nas eleições brasileiras de 2026 , detalhou as iniciativas legislativas de Erika Hilton e Duda Salabert no Congresso e noticiou o atentado sofrido por Salabert durante fiscalização ambiental em Minas Gerais .

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