Suspeito do ataque junto ao Orgulho LGBT de Berlim estava em liberdade após condenação por tentar aderir ao EI
O Tribunal Distrital de Tiergarten, em Berlim, condenou Abdul Ballout em 12 de maio a 22 meses de detenção ao abrigo do direito penal juvenil por tentar aderir ao Estado Islâmico (EI) e divulgar a sua propaganda, mas libertou-o da prisão preventiva. Dois meses e meio depois, Ballout foi apontado como principal suspeito do ataque de 25 de julho junto ao Orgulho LGBT Christopher Street Day (CSD), no qual uma mulher morreu e 29 pessoas ficaram feridas.
Segundo um comunicado conjunto da Procuradoria-Geral e dos tribunais de Berlim , o tribunal considerou-o culpado de preparar um grave ato de violência contra a segurança do Estado e de duas violações de uma proibição prevista na Lei das Associações. Os investigadores concluíram que Ballout tinha publicado material do EI no Instagram e viajado pela Turquia até ao Líbano em maio de 2025, com a intenção de chegar à Síria e aderir ao grupo. Foi condenado a três meses de prisão no Líbano; depois de regressar à Alemanha em novembro de 2025, passou quase seis meses em prisão preventiva em Berlim.
O Tagesspiegel, que consultou a sentença , noticiou que o tribunal teve em conta a confissão de Ballout, o tempo já passado sob custódia e a ausência de perigo imediato devido ao planeamento «amador» do seu projeto. O direito penal juvenil foi aplicado porque Ballout, com 20 anos à data dos factos, apresentava atrasos de maturidade e desenvolvimento e continuava suscetível a influência educativa. Não recebeu, porém, uma pena suspensa convencional: a decisão sobre uma eventual suspensão da detenção foi adiada por seis meses. A própria sentença dizia que uma suspensão imediata não era adequada, pois Ballout continuara interessado em conteúdos do EI após a prisão no Líbano.
Durante este período de liberdade condicional preliminar, Ballout ficou sob supervisão e obrigado a comparecer em consultas, incluindo sessões de desradicalização. O mandado de detenção foi revogado porque a prisão preventiva serve para garantir o processo penal, não para antecipar o cumprimento da pena. A sentença não era definitiva: a Procuradoria pedira mais de dois anos sem possibilidade de suspensão, a manutenção da detenção e recorreu.
Após o ataque, o ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, classificou a decisão como «incompreensível», enquanto vários políticos exigiram regras mais rígidas para aplicar o direito juvenil a adultos. O especialista em direito penal juvenil Alexander Baur respondeu que os tribunais já podem prender quem considerem uma ameaça persistente e que uma lei mais severa provavelmente não teria evitado o ataque; as avaliações de risco podem falhar, segundo o Tagesspiegel . A polícia matou Ballout a tiro durante uma tentativa de detenção em 26 de julho; segundo a versão policial, avançou sobre os agentes com um objeto cortante.